Domingo, 5 de Abril de 2009

Socialismo ou Esquerdismo - Penúria, Demagogia, Horror Económico-Social.

Resumo: Que é o esquerdista, senão um rousseauniano inflexível, que se dedica a transformar o mundo antes de tentar compreendê-lo minimamente?

"A utopia não tem obrigação de apresentar resultados. Sua única função épermitir aos seus adeptos a condenação do que existe em nome daquilo que não existe.”

Jean François Revel

Em PROPRIEDADE & LIBERDADE, Richard Pipes relata que “quando James Boswell visitou Rousseau, ouviu dele: “Senhor, eu não tenho a menor simpatia pelo mundo. Vivo aqui num mundo de fantasias e não posso tolerar o mundo como ele é(...) A humanidade me repugna.”(1)

Com efeito, que é o esquerdista, senão um rousseauniano inflexível, que se dedica a transformar o mundo antes de tentar compreendê-lo minimamente, antes de tentar descobrir sua posição de indivíduo humano no cosmos? Que é o esquerdista, senão aquele que inventou um mundo de sonhos e fantasias, um mundo de mentiras e alucinações, das quais uma das mais insanas é a exigência de que o socialismo seja julgado pelos propósitos que almeja, nunca pelos resultados que obtém? Que é o esquerdista, senão o que se vê como o próprio sal da terra, um membro da classe eleita, de tal maneira acima da comum humanidade, que pode acusá-la, condená-la, ou usá-la como convier aos planos do partido? Que são estes para o esquerdista típico, senão a Verdade?

Mantivesse-se quieta a criatura que resolveu viver por esse padrão, o problema seria menor. Isso, no entanto, não ocorre. A essa doença da alma parecem estar fatalmente ligadas a militância e a verbosidade, esta marcadamente retórica, tão inflamada quanto manhosa, sempre a negar os fatos, ou a serpentear por entre eles, ou a explicá-los tão fantasticamente, que ao fim uma única conclusão é possível: a maior vítima dos regimes comunistas sempre foi a inocente esquerda e o ideal socialista, que, nunca implantado em parte alguma, leva a culpa por tudo.

Hitler ensinou que “toda propaganda deve determinar seu nível intelectual de acordo com a compreensão do mais limitado dos indivíduos a que ela se dirige.” Em vez de graduar a sua pela capacidade mental do mais simplório dos indivíduos visados, a esquerda direcionou-a à sensibilidade de todos eles. Porta de entrada da mente, a sensibilidade ou afetividade aqui deve ser entendida o mais abrangentemente possível (alegria, tristeza, esperança, raiva, suspeita, medo etc. são sentimentos humanos). Com o ajuste, a propaganda esquerdista ganhou amplidão, eficácia e invisibilidade, principalmente invisibilidade. Qualquer general gostaria de ter uma arma assim. A coisa toda pode ser exemplificada com a romantização do projeto comunizante e de seus “mártires”. À grande maioria das pessoas, choca ver aqueles inocentes serem trucidados por uma sociedade injusta e insensível que a tudo recorre, sem hesitação, para impedir a ação heróica e altruísta dos reformadores sociais. Essa forte impressão, o assistente ingênuo a carregará inconscientemente, e é ela que, muito de leve, irá lhe moldando o comportamento.

A manobra é claríssima no filme Olga, que emocionou multidões com a narrativa sentimentalóide da vida de uma agente profissional do serviço secreto militar soviético, mandada para o Brasil a serviço, não a passeio, muito menos em viagem de lua-de-mel. A verdadeira Olga Benário aparece na entrevista concedida à revista Época por William Waack, autor dum importante livro sobre o movimento comunista de 1935 no Brasil.(2) O filme é baseado no livro homônimo de Fernando Morais e, revela Waack, “tem boa parte compilada da primeira biografia de Olga feita pela alemã Ruth Werner, a pedido do PC alemão, em 1962. Trabalhos que não contam a realidade.” Redivivo, Rousseau ataca novamente, agora com propósitos propagandístico-ideológicos. (veja abaixo a entrevista com Waack).

Essa não é a primeira vez que Fernando Morais escreve com o coração para corações. Em A ILHA, ele expressa suas impressões sobre uma viagem a Cuba, na década de 70. O livro é legítimo exemplo daquela literatura de viagem, em que, no tom hiperbólico e sugestivo do discurso poético (3), o navegador europeu narrava o que tinha visto nas terras recém-descobertas: o paraíso terrestre. Richard Pipes traz exemplos desses textos e mostra como eles influenciaram o pensamento político europeu, do qual emerge, mais tarde, o projeto comunista. Nunca é demasiado lembrar que o cultíssimo velho mundo inventou o nazismo e o comunismo, duas ideologias assassinas, às quais se contrapõem duzentos anos ininterruptos de democracia, experimentados pelos grosseirões “cowboys” norte-americanos.

Percival Puggina foi a Cuba e, em CUBA, A TRAGÉDIA DA UTOPIA (editora Literalis, 2004), conta o que viu. A Cuba paradisíaca cantada por Fernando Morais e tantos outros, a sociedade em que Dom Paulo Evaristo Arns notou uns longes do reino de Deus, nunca existiu, a não ser na mente rousseauniana da esquerda, que já gritou ‘paraíso à vista’ apontando para o Vietnã, para a China, para a União Soviética, para a Albânia etc. etc. etc. O que, no entanto, o povo de todos esses países experimentou foi tirania e miséria. Não é diferente na ilha de Fidel Castro.

“Se um cubano conseguir um dólar por dia, obterá, ao fim do mês, uma renda quatro vezes superior à que teria trabalhando para o governo.”, mas é o regime de livre empresa que, por sua sanha exploradora, revolta profundamente artistas e intelectuais; “ainda hoje, qualquer um pode ser condenado, em Cuba, a pelo menos um ano de pena privativa de liberdade por crítica ao sistema”, mas é em Cuba que, como apontou Juca Chaves, nossa vanguarda intelectual vê democracia e liberdade de expressão; “a praia de Varadero, o mais famoso ponto turístico da ilha, está fechada aos cubanos”, todavia é a odiosa discriminação praticada no Brasil que enoja nossa elite pensante. Falando em linguagem marxista, a reificação do homem ocorre não no regime da livre iniciativa, não nos Estados Unidos, no Canadá ou no Japão, mas sim no comunista, na ilha de Fidel, como foi na URSS de Stalin, e na China de Mao, e na Albânia de Henver Hoxa, e etc.

A claque de Fidel, sempre bem ensaiada, logo argumentará dizendo que o relativo insucesso da revolução cubana se deve ao embargo norte-americano, que impede o pleno desenvolvimento econômico do país. Ora, como demonstrou Jean François Revel, isso é apenas mais uma falácia, pois não há um só navio ou avião norte-americano a impedir a saída de produtos cubanos para o restante do mundo. O que o embargo impede, sim, é que Cuba mantenha relações comerciais com os Estados Unidos. Com impiedosa lógica, Puggina conclui o que decorre disso: “Quando a Meca do comunismo é enjeitada pela Meca do capitalismo, a vida fica uma droga.” E fica mesmo: no paraíso caribenho, há escassez de produtos básicos, como sabonetes e pastas de dentes.

Para o povo, sim, a vida fica uma droga; para Fidel Castro, não, haja vista ele dedicar o mais de seus esforços à exportação de sua revolução e não à melhoria das condições de vida de seu povo. (A propósito: qualquer esquerdista em princípio de carreira já sabe que, no Brasil, golpista é sempre a direita e que a esquerda toma o caminho da revolução violenta apenas quando as vias democráticas estão obstruídas. Isso é mais uma mentira: em O APOIO DE CUBA À LUTA ARMADA NO BRASIL(4), Denise Rollemberg mostra que Cuba tinha agentes revolucionários aqui, quando o país vivia em pleno regime democrático).

Em verdade, deixar o povo na dependência do Estado faz parte do plano geral. Percival Puggina conta que, em 1959, quando Hubert Matos, companheiro de Fidel na guerrilha, perguntou a este quando seria estabelecida a participação dos operários nos lucros das empresas, o comandante respondeu magnânimo: “No, Hubert, eso no lo podemos hacer, porque si propiciamos que los trabajadores tengan independência econômica, de ahi a la independência política no hay más que um paso. No podemos!”

O excelente ensaio “Experiência Fatal – 80 anos de revolução russa”, ensina que “o poder econômico privado é a vacina contra tirania do Estado, assim como o Estado é a garantia contra os abusos do poder econômico”.(5) Portanto, ao manter o povo em situação de humilhante penúria e totalmente dependente da paupérrima economia oficial, Fidel Castro não faz mais do que aplicar parte da fórmula que lhe assegura o poder conquistado em 1959. E, se tolera o mercado negro, os dólares vindos de Miami e os provenientes do turismo, está a um tempo irrigando o organismo social de modo que este não lhe fuja ao controle e conseguindo dinheiro de verdade para arcar com os pesados custos do totalitário Estado comunista, sempre vigilante e assustador. A maior das aspirações intelectuais humanas deve ser ver as coisas como elas são. E, como diz Eduardo Gianetti da Fonseca, uma das conquistas centrais da filosofia é o postulado de que nenhuma quantidade de saber sobre o mundo como ele é pode nos permitir, por si só, dar o passo seguinte e fazer afirmações sobre o que deve ser.(6) A tragédia de todas as experiências sociais totalitárias tem sua origem no desconhecimento de um dos pontos desse postulado.

NOTAS

(1) PIPES, Richard. Propriedade e Liberdade. Rio de Janeiro, Record, 2001.

(2) WAACK, William. Camaradas – Nos arquivos de Moscou – A história secreta da revolução brasileira de 1935. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

(3) CARVALHO, Olavo. Aristóteles em Nova Perspectiva. Rio de Janeiro, Topbooks, 1996.

(4) ROLLEMBERG, Denise. O APOIO DE CUBA À LUTA ARMADA NO BRASIL – O TREINAMENTO GUERRILHEIRO. Rio de Janeiro, Mauad, 2001.

(5) CARVALHO, Olavo. O Imbecil Coletivo II. Rio de Janeiro, Topbooks, 1998.

(6) GIANNETTI, Eduardo. Nada é tudo – ética, economia e brasilidade. Rio de Janeiro, Campus, 2000.

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Revista Época, Edição 326 - 16 de agosto de 2004
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